Com a disponibilização da tecnologia na educação, alunos buscam conhecimento em ambientes diversificados... E essas tecnologias estão muito além de instrumentos que auxiliam na educação. Elas proporcionam independência.
Ensinar com ajuda da tecnologia
Como recurso didático ou simplesmente para facilitar o trabalho do professor, elas não podem mais ser ignoradas.
É preocupante a desatenção de muitas escolas e redes de ensino com a necessidade de modernização dos recursos para educar. Muitos professores acabam buscando isso por conta própria, como é o caso de Luciana, jovem professora da Região Sul, leitora de NOVA ESCOLA. Inconformada com os cadernos de chamada e de diários repetidamente preenchidos a mão, ela usa computador e impressora para simplificar a tarefa. Além de assim realizar afazeres administrativos, ela leva para a classe alguns materiais mais atualizados disponíveis na internet, mas não em sua escola.
Há alguns anos,
insistir nessa modernização seria uma fantasia, em face de custos inaceitáveis
dos equipamentos e carências tão mais graves. Mas os tempos e os preços mudaram
e não se justifica continuar a sobrecarregar quem ensina com a manutenção de
práticas anacrônicas, que já estão sendo substituídas até mesmo na loja da
esquina. Se é possível facilitar a vida de alfabetizadoras com um par de
turmas, que dizer de especialistas que têm mais de uma dúzia de salas e
centenas de alunos e passam fins de semana sacrificados, transcrevendo notas ou
executando outras tarefas cansativas e repetitivas, mas indispensáveis? A
simplificação da rotina docente, no entanto, é somente a mais elementar das razões
para o emprego das tecnologias da informação no ensino.
Para o uso
pedagógico, há diversos recursos também muito simples, que não exigem o acesso
à internet em banda larga, e podem ser utilizados com grande vantagem. Basta se
lembrar das centenas de DVDs de interesse artístico, científico, geográfico ou
histórico. Custando menos do que um sanduíche cada um, eles poderiam constituir
o acervo de videotecas em muitas escolas para o uso em sala de aula ou o
empréstimo para alunos e professores. Se for difícil manter aparelhos
eletrônicos como computadores e televisores em cada sala, há algumas
alternativas, como materiais portáteis, de uso coletivo, desde que haja a
consciência da necessidade ou do interesse, é claro!
Os sistemas de
comunicação evoluem com extrema rapidez e essa dinâmica é parte da vertiginosa
modernidade em que estamos imersos. Não podemos nos deslumbrar com essas
novidades ou ficar apreensivos pelo perigo de que substituam nossa função de
educar. Mas não devemos ignorar as possibilidades que eles abrem para
aperfeiçoar nosso trabalho, como o acesso a sites de apoio e atualização
pedagógica ou a programas interativos para alunos com dificuldades de
aprendizagem.
Faltou mencionar a
razão mais importante para os professores utilizarem essas tecnologias: seus
alunos já fazem ou logo farão uso delas! Instrumentos de comunicação e lazer,
elas são parte da vida dos jovens - e os que ainda não dispõem delas se
ressentem dessa falta. Sempre que podem, disputam lugares em lanhouses
existentes em praticamente todas as cidades brasileiras. Por isso, é provável
que muitos dos seus alunos segurem o lápis com menos desenvoltura do que
manuseiam um mouse, passem as tardes debatendo no MSN questões pessoais com
amigos distantes e usem com mais frequência o código do correio eletrônico do
que o CEP de sua casa.
Há escolas que
montaram a famosa "sala de informática", mas a mantiveram fechada até
que os equipamentos se tornaram obsoletos - também há quem proponha logo um
notebook para cada aluno, o que talvez não se justifique, pois há notícias de
progresso inexpressivo na qualidade do ensino em lugares onde esse investimento
foi feito. É preciso saber disso para não alardear milagres tecnológicos,
especialmente se desacompanhados de programas de formação, mas não se pode
cobrar das escolas um bom desempenho se elas estiverem décadas atrás do que já
se tornou trivial nas práticas sociais.
Referência: Luis
Carlos de Menezes (pensenisso@abril.com.br) é físico e
educador da Universidade de São Paulo (USP).
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